E mesmo assim, continuar
Tem dias em que tudo parece cinza.
A gente liga a televisão, abre um portal de notícias, e lá está: mais um escândalo de corrupção.
Mais um feminicídio.
Mais uma criança violentada.
Mais um absurdo normalizado.
Dói.
Desanima.
Dá vontade de parar.
Parar de acreditar, de tentar, de insistir.
Como se tudo aquilo em que a gente acredita perdesse força diante de um mundo que insiste em andar na direção contrária.
Mas é aí que eu respiro fundo.
E volto para mim.
Para aquilo que não muda com a manchete do dia.
Volto para meus valores.
Volto para minha fé.
Em Deus.
Na vida.
No que não se vê, mas sustenta.
Porque eu acredito que cada um de nós tem um núcleo firme.
Um ponto de partida que nos ancora quando o mundo parece girar rápido demais para o lado errado.
É nele que está a motivação pessoal.
Na certeza de que o que eu faço tem sentido.
Mesmo que não dê ibope.
Mesmo que não resolva tudo.
Se eu ajo com justiça, com verdade, com consciência — já é alguma coisa.
Se eu cuido do que está ao meu alcance, já estou empurrando a realidade um centímetro para o bem.
É pouco?
Talvez.
Mas é o meu pouco.
E quando ele se junta ao pouco do outro, vira força.
Continuar não é ignorar a dor do mundo.
É olhar para ela de frente — e escolher não ser mais um que se cala.
Por isso sigo.
Não por otimismo barato.
Mas por convicção profunda de que fazer o certo ainda vale a pena.
E porque, mesmo em silêncio, Deus ainda está vendo.
