Quando o aniversário da filha encontra a chave de um novo lar
Essa semana foi feita de caixas abertas e lembranças escancaradas.
De lágrimas que escorriam sem avisar.
E de risos soltos que, por sorte, ainda moram aqui.
A Mel fez 20 anos. Vinte. Um número que, até outro dia, era meu.
E, no mesmo tempo em que ela soprava velas, eu empacotava a vida para seguir rumo a uma nova casa.
Um mix de sentimentos. Daqueles que não cabem num post de rede social.
Mas que merecem um lugar aqui — no meu canto mais sincero.
A mudança não é só de endereço.
É um projeto de nós três: eu, Mel e Fabinho.
Uma construção silenciosa, feita de conversas na madrugada, decisões no improviso, carinho nos detalhes.
Fabinho chegou há dois anos e virou porto.
Foi abrigo para a Mel. Foi calma para mim.
Hoje, ele é parte essencial desse lar que estamos criando.
Porque lar não é o lugar onde moramos.
É onde nos sentimos vistos. Onde nos permitimos descansar sem defesa.
É onde as risadas ecoam, onde as broncas também têm amor, onde até o silêncio é confortável.
Essa nova casa tem paredes ainda nuas, mas já pulsa história.
Tem cheiro de começo. Tem o cansaço bom de quem está construindo junto.
Mas, antes de virar a chave, deixei um pedaço do coração na casa antiga.
Ali vivi momentos que moldaram quem sou.
Vi minha filha crescer, vi minha vida mudar, vi meus sonhos tomarem forma — e também desmoronarem e recomeçarem.
Aquela casa foi mais que abrigo.
Foi testemunha.
Foi palco de alegrias, de choros escondidos, de pequenas conquistas diárias.
E é por isso que a mudança vem com um nó na garganta e um alívio no peito.
Porque tem hora que a vida exige recomeço.
Não porque o que passou foi ruim, mas porque o que vem pela frente pede espaço.
Hoje, celebro a vida da minha filha — essa mulher que me ensina todos os dias.
E celebro também a coragem de começar de novo, com quem escolheu ficar.
A gente não muda só de casa.
A gente muda com ela.
E isso, pra mim, é o mais bonito.
Bem-vinda, nova fase.
Aqui tem amor de sobra. E lugar pra crescer junto.
