Hoje eu parei

Hoje eu parei.

Não por obrigação.
Nem por cansaço.

Mas porque, pela primeira vez em muito tempo, eu senti que podia.

E foi estranho.

Eu sempre estive no movimento.
No fazer.
Na entrega.

Sem olhar muito para trás.

Mas hoje olhei.

E percebi o quanto eu construí.

Não de forma planejada.
Nem estratégica.

Foi acontecendo.

Um pouco em cada lugar.

Um pouco em cada função.

Um pouco em cada responsabilidade que eu fui assumindo sem saber exatamente onde aquilo ia dar.

E deu.

Passei por algumas funções dentro do CRF.
Me envolvi com temas diferentes.
Assumi coisas que, na época, eram só mais uma demanda.

Hoje eu vejo que não eram.

E talvez o mais curioso tenha sido perceber isso de forma simples.

Uma mensagem.

Um “oi” de alguém com quem eu não falava há muito tempo.

Uma lembrança.

Um reconhecimento.

E, de repente, tudo fez sentido.

Eu me tornei referência em coisas que, lá atrás, eu só fui fazendo.

LGPD.
Direito da saúde.
Gestão.

Nada disso foi pensado como construção de imagem.

Foi prática.

Foi rotina.

Foi responsabilidade.

Outro dia falei isso para a Mel.

A gente não vê, enquanto está construindo, o que vem pela frente.

A gente só vai.

E talvez esse seja o segredo.

Fazer o melhor todos os dias.

Mesmo sem saber exatamente onde aquilo vai chegar.

Porque chega.

E quando chega, não é só sobre retorno financeiro.

É sobre tranquilidade.

Sobre saber que o que você construiu se sustenta.

E foi isso que eu senti.

Uma paz.

Não de parar.

Mas de não precisar correr o tempo inteiro.

De poder diminuir o ritmo.
Mudar a rotina.
Respirar um pouco mais.

Sem perder o que foi construído.

Talvez esse seja o momento que ninguém explica.

Mas que, quando chega, a gente entende.