O ano em que saí da bolha
2025 foi um ano longo.
De muito trabalho, muita entrega, muitos papéis assinados — mas também de muitos espelhos.
Lancei minha consultoria. Voltei para a sala de aula como docente. Continuei firme na missão de sempre no CRF-RJ, esse lugar que me moldou mais do que qualquer outro e que continua exigindo de mim o que tenho de mais técnico e mais humano.
Mas o que mais me surpreendeu neste ano não foi o volume de tarefas. Foi a consciência do que eu construí.
Porque, por muito tempo, fui só fazendo.
Cumprindo prazos, resolvendo problemas, ajudando onde podia.
Não parei para ver.
Não percebi que, ao redor de tanto fazer, eu havia criado uma trajetória.
E quando finalmente levantei os olhos, percebi que minha voz já era referência para pessoas que eu admiro. Gente que eu lia, que eu respeitava, que eu ouvia — e que agora me ouve também.
Essa é a sensação de sair da bolha.
E de perceber, com humildade e espanto, que a gente importa mais do que imagina.
Digo o mesmo do meu marido, Fabinho.
Economista do mercado financeiro.
2025 também foi um ano intenso para ele. Cheio de desafios. Cheio de conquistas.
Dizem que fui eu.
Que eu o incentivei. Que fui o empurrão.
Mas não fui.
Ele sempre esteve ali. Forte, lúcido, brilhante.
Eu apenas lembrei.
Apenas olhei de novo e vi com mais nitidez o que sempre esteve presente.
E isso também é amor. O amor de reconhecer — não o que o outro virou, mas o que o outro sempre foi.
E, entre tudo isso, tem a Mel.
Minha filha, com seus 19 anos.
Saindo da infância, da doçura previsível, para a mulher que questiona, desafia e pensa o mundo com os próprios olhos.
Cheia de personalidade. Cheia de dúvidas. Cheia de humanidade.
Ser mãe dela é também um processo de aprendizado diário.
É me ver nela e não ver nada de mim ao mesmo tempo.
É me orgulhar, me preocupar e me emocionar com a coragem que ela tem de ser exatamente quem é.
Fecho 2025 exausta, mas desperta.
Com uma sensação bonita de dever cumprido.
Com o cansaço de quem deu tudo e a paz de quem sabe que valeu a pena.
Talvez eu nunca tenha planejado chegar até aqui.
Mas cheguei.
E agora que estou, quero seguir com mais calma, mais clareza — e a mesma intensidade de sempre.
